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Como Apresentar Resultados no TCC: Gráficos, Tabelas e Interpretação

Meu TCC Na Prática16 min de leitura
Como Apresentar Resultados no TCC: Gráficos, Tabelas e Interpretação

Você coletou os dados. Tem o questionário respondido, as entrevistas transcritas ou os números na planilha. E agora trava. Como isso vira TCC? Vai em tabela ou em gráfico? Precisa comentar cada dado no texto ou o visual fala por si?

Essa é uma das partes mais críticas do trabalho — e uma das menos ensinadas. A maioria dos guias sobre TCC explica como formatar a capa, como estruturar o sumário, como fazer referências. Mas a seção de resultados, que é onde a pesquisa se justifica, costuma aparecer como item secundário ou com orientações genéricas demais para ajudar na prática.

O problema central não é estético. Não é saber se o gráfico fica bonito ou se a tabela está formatada corretamente. O problema é que a maioria dos alunos apresenta os dados mas não os interpreta — e isso é o que a banca vai cobrar com mais dureza. Dado sem interpretação é levantamento. Interpretação sem dado é especulação. O resultado do TCC precisa ser as duas coisas juntas.

Este guia cobre o processo completo: como escolher o tipo de dado conforme o perfil da sua pesquisa, como decidir entre tabela, gráfico ou texto, como formatar cada elemento conforme as normas vigentes, e — principalmente — como transformar dados em análise de verdade.

Pesquisa Qualitativa ou Quantitativa: O Que Isso Muda na Apresentação

Antes de pensar em formato de apresentação, é preciso entender o que você tem nas mãos. O tipo de dado coletado define não só como apresentar, mas o que a banca vai esperar na seção de análise.

Pesquisa quantitativa trabalha com dados numéricos e mensuráveis — respostas de questionários em escala Likert, frequências, percentuais, índices. O objetivo é identificar padrões, correlações ou comparações que possam ser generalizadas para uma população. A apresentação é predominantemente visual: tabelas com frequências, gráficos de barras, histogramas. A interpretação conecta os números aos objetivos da pesquisa e às hipóteses levantadas na introdução.

Pesquisa qualitativa trabalha com textos, falas e relatos — entrevistas, grupos focais, observações, análise documental. O objetivo é compreender significados, percepções e contextos que não se reduzem a números. A apresentação usa trechos de fala dos participantes como evidência, organizados em categorias ou temas recorrentes. A interpretação conecta essas falas ao referencial teórico do trabalho.

Pesquisa mista (quali-quanti) combina as duas abordagens — o que a maioria dos TCCs de graduação acaba fazendo, mesmo sem nomear assim. A triangulação metodológica, como é chamada tecnicamente, permite que dados numéricos e dados textuais se complementem para responder ao problema de pesquisa com mais profundidade.

AbordagemTipo de dadoInstrumento comumForma de apresentação
QuantitativaNumérico, mensurávelQuestionário, escalaTabelas, gráficos, estatísticas
QualitativaTextual, descritivoEntrevista, observaçãoCategorias, trechos de fala, quadros
MistaAmbosQuestionário + entrevistaCombinação dos dois formatos

Quem já orientou TCCs sabe que o erro mais comum de diagnóstico é o aluno que coleta dados qualitativos — entrevistas abertas, por exemplo — e tenta transformá-los em percentuais sem critério técnico. "70% dos entrevistados mencionou X" pode ser aceitável como dado complementar, mas não substitui a análise de conteúdo que os dados qualitativos exigem.

Posição técnica: a escolha entre pesquisa qualitativa e quantitativa não é estética nem de preferência pessoal. Ela decorre do problema de pesquisa e dos objetivos do trabalho. Se o objetivo é medir, comparar ou verificar relação entre variáveis — quantitativa. Se o objetivo é compreender, explorar ou interpretar fenômenos sociais e subjetivos — qualitativa. Se o problema exige as duas coisas — mista. O quadro conceitual do TCC Na Prática pode ajudar a mapear essa relação entre objetivos e abordagem metodológica antes de começar a coleta.

Tabela, Gráfico ou Texto: Como Decidir o Formato Certo

Parece simples. Mas é exatamente aqui que a maioria dos alunos toma decisões erradas — e cria uma seção de resultados desorganizada, com informações redundantes e sem hierarquia de importância.

A lógica de decisão é direta:

Use tabela quando:

  • Os dados precisam ser consultados com precisão (valores exatos importam)
  • Há múltiplas variáveis ou categorias para comparar simultaneamente
  • O leitor precisa ver os números, não apenas a tendência

Use gráfico quando:

  • O objetivo é destacar uma tendência, variação ou contraste visual
  • A proporção ou evolução temporal é o dado mais relevante
  • A mensagem central pode ser percebida em segundos, sem leitura detalhada

Use texto corrido quando:

  • A informação é pontual e não justifica uma representação visual
  • Os dados são de natureza qualitativa e o trecho de fala é a evidência
  • A tabela ou gráfico criaria mais ruído do que clareza

O erro mais comum é usar tabela e gráfico para a mesma informação, como se um complementasse o outro. Não complementam — duplicam. Se você tem uma tabela com frequências de resposta e constrói um gráfico de barras com os mesmos dados logo abaixo, está repetindo informação. Escolha o formato que melhor comunica aquele dado específico e descarte o outro.

Regra prática: se o dado cabe em uma frase, vai no texto. Se precisa de comparação entre variáveis, vai em tabela. Se a tendência visual é o ponto central, vai em gráfico. Nunca os três juntos para o mesmo dado.

Como Formatar Tabelas e Gráficos nas Normas ABNT

A NBR 14724:2024 estabelece regras específicas para a apresentação de ilustrações e tabelas. Formatar errado sinaliza para a banca que você não domina a apresentação dos próprios dados — o que prejudica a credibilidade do trabalho além da aparência.

Tabelas

Tabelas apresentam dados numéricos ou estatísticos. São identificadas pela palavra Tabela (com maiúscula inicial) seguida de número arábico sequencial, e esse identificador vai acima do elemento, junto ao título descritivo.

Estrutura obrigatória:

  • Título acima, com letras maiúsculas e minúsculas, sem ponto final
  • Linhas horizontais delimitando cabeçalho, corpo e rodapé
  • Sem bordas verticais externas — esse é o detalhe que mais aparece errado
  • Fonte dos dados abaixo, em tamanho 10, alinhada à esquerda
  • Chamada no corpo do texto antes da tabela aparecer
Tabela 1 – Distribuição de frequência das respostas por categoria

| Categoria         | Frequência | Percentual (%) |
|-------------------|------------|----------------|
| Concordo          | 45         | 56,2           |
| Concordo parcialmente | 22    | 27,5           |
| Discordo          | 13         | 16,3           |
| Total             | 80         | 100,0          |

Fonte: dados da pesquisa (2026).

Se os dados são da própria pesquisa do aluno, use: Fonte: dados da pesquisa (ano) ou Fonte: elaborado pelo autor (ano). Se vierem de outra fonte, cite conforme a NBR 6023.

Quadros

Quadros são frequentemente confundidos com tabelas. A distinção técnica é simples: tabelas têm dados numéricos e bordas abertas nas laterais; quadros têm dados textuais ou mistos e bordas fechadas em todos os lados. Em pesquisas qualitativas, o quadro é o elemento mais comum para organizar categorias de análise, perfis de participantes ou comparações conceituais.

Gráficos e Figuras

Na terminologia da ABNT, gráfico é uma categoria de figura. Toda ilustração que não é tabela é figura — incluindo gráficos, fotografias, mapas, fluxogramas e esquemas. A identificação segue o padrão:

  • Figura X – Título descritivo acima do elemento (diferente da tabela, onde o título também fica acima, mas a legenda detalhada fica abaixo)
  • Fonte abaixo, em tamanho 10
  • Chamada no texto antes de o elemento aparecer

Atenção à chamada no texto: todo elemento visual precisa ser mencionado no corpo do texto antes de aparecer na página. "Como mostra a Tabela 1..." ou "Conforme apresentado na Figura 3..." — sem isso, o elemento flutua no documento sem função narrativa. A banca vai notar a ausência.

Para gerar referências e citações no formato correto para as fontes dos seus dados, o gerador de citações ABNT do TCC Na Prática pode ser um ponto de partida útil.

Como Interpretar os Resultados: O Que a Banca Realmente Espera

Aqui está o problema central. E vale ser direto: apresentar dados sem interpretá-los é o erro mais frequente e mais grave na seção de resultados de um TCC.

O aluno descreve o gráfico. Diz que "68% dos respondentes concordam com a afirmação X". E para por aí. A banca olha e pergunta: e daí? O que isso significa para o problema de pesquisa? Esse dado confirma ou contraria a hipótese levantada? Está alinhado com o que a literatura diz — ou diverge? Por quê?

Interpretação não é repetir o dado em palavras. É responder ao "e daí?" com argumento técnico.

Para pesquisas quantitativas, a interpretação conecta o dado ao objetivo específico que ele responde. Se o objetivo era "verificar se X está associado a Y", a interpretação precisa afirmar — com base nos dados — se essa associação existe, qual é sua magnitude e o que ela significa no contexto do problema estudado. Dados de estatística descritiva (frequências, médias, desvios) descrevem a amostra. Dados de estatística inferencial (correlações, testes de hipótese) permitem generalizações — e exigem interpretação mais cuidadosa das limitações.

Para pesquisas qualitativas, a interpretação organiza os dados em categorias ou temas recorrentes e os dialoga com o referencial teórico. Não basta dizer que "o participante A mencionou dificuldade com X". É preciso articular essa fala com os conceitos que embasam o trabalho — e mostrar como ela confirma, tensiona ou amplia o que a teoria já dizia sobre o fenômeno.

A estrutura de interpretação que funciona na prática:

  1. Apresente o dado — "Como mostra a Tabela 2, 72% dos participantes relataram..."
  2. Descreva o que o dado revela — "Esse resultado indica que a maioria da amostra..."
  3. Conecte ao objetivo ou hipótese — "Esse achado responde ao objetivo específico de verificar..."
  4. Dialogue com a literatura — "Esse resultado está alinhado com o que autores como X apontam sobre... / contraria a perspectiva de Y, que argumenta que..."
  5. Sinalize limitações quando relevante — "Vale considerar que a amostra se restringe a..."

O erro que mais irrita a banca: aluno que apresenta seis gráficos seguidos, cada um com uma frase descritiva, e chama isso de análise de resultados. Isso é apresentação de dados, não interpretação. A seção de resultados e discussão exige posição analítica — não apenas inventário visual.

Análise de Dados Qualitativos: Categorias, Falas e Triangulação

Na pesquisa qualitativa, a análise de conteúdo é a técnica mais utilizada em TCCs de graduação. O processo segue três fases: pré-análise, exploração do material e interpretação.

Pré-análise: leitura atenta do material coletado, formulação de hipóteses iniciais e definição das categorias de análise. As categorias podem ser definidas a priori (com base no referencial teórico) ou emergir dos próprios dados (análise indutiva).

Exploração do material: classificação sistemática do conteúdo dentro das categorias definidas. Cada trecho relevante é associado a uma categoria. Quadros de sistematização ajudam a organizar esse mapeamento.

Interpretação: articulação dos dados organizados com o referencial teórico do trabalho. É aqui que a análise ganha densidade — e é aqui que a maioria dos alunos para antes de terminar.

Um erro específico que aparece com frequência em pesquisas qualitativas: o aluno inclui transcrições longas de entrevista no corpo do texto sem recortar ou interpretar. Transcrição bruta não é análise. O dado relevante para o TCC é o trecho que ilustra uma categoria — não o relato completo do participante. Recorte com critério e interprete cada trecho inserido.

Dica de quem já acompanhou defesas: a banca de TCC qualitativo costuma perguntar "como você chegou a essa categoria?" e "o que esse dado acrescenta ao que a literatura já sabe?". Se você não consegue responder a essas duas perguntas para cada resultado apresentado, a análise ainda está incompleta.

Para pesquisas que combinam as duas abordagens, a triangulação — cruzar dados quantitativos e qualitativos para interpretar o mesmo fenômeno — é o recurso que dá mais consistência metodológica ao trabalho. Não é complexo: é mostrar que o número e o relato apontam para o mesmo lugar — ou, quando divergem, explicar por que divergem.

Erros Mais Comuns na Seção de Resultados

A lista abaixo reúne os problemas que aparecem com mais consistência em TCCs avaliados por bancas:

1. Dado sem interpretação O mais crítico. O aluno descreve o gráfico ("60% responderam sim") mas não conecta ao problema, à hipótese ou à literatura. Dados sem interpretação são levantamento — não pesquisa.

2. Tabela e gráfico com o mesmo dado Duplicação que não acrescenta nada e ocupa espaço que deveria ser da interpretação. Escolha um formato.

3. Elemento visual sem chamada no texto Tabela ou figura que aparece na página sem ter sido mencionada no texto antes. Viola as normas ABNT e desconecta o elemento do raciocínio do trabalho.

4. Título de tabela ou figura genérico "Tabela 1 – Resultados" não informa nada. O título precisa descrever o que está sendo mostrado: "Tabela 1 – Frequência de respostas sobre satisfação com o atendimento por faixa etária".

5. Fonte ausente ou incorreta Todo elemento visual precisa ter fonte identificada — mesmo quando os dados são do próprio autor. "Fonte: dados da pesquisa (2026)" ou "Fonte: elaborado pelo autor (2026)".

6. Transcrição de entrevista sem análise Em pesquisas qualitativas, incluir blocos de fala do participante sem interpretação é o equivalente ao dado sem interpretação da pesquisa quantitativa. Recorte o trecho relevante e analise-o.

7. Conclusão antecipada nos resultados A seção de resultados apresenta e interpreta os dados. A conclusão — síntese, implicações, recomendações — tem seção própria. Confundir as duas fragiliza a estrutura do trabalho.

Para ter um ponto de partida sólido na estrutura do seu TCC, o download de modelo de TCC pronto já contempla a organização das seções conforme a norma vigente — incluindo resultados e discussão separados da conclusão.

Conclusão

Apresentar resultados no TCC não é montar um relatório visual. É construir um argumento — com dados como evidência e interpretação como raciocínio. A diferença entre um trabalho que a banca aprova com convicção e um que passa por ressalvas costuma estar exatamente aqui: na capacidade do aluno de conectar o que os dados mostram ao que a pesquisa se propôs a responder.

A regra prática é simples: para cada dado apresentado, você deve conseguir responder "o que isso significa para o meu problema de pesquisa?" e "como isso dialoga com o que a literatura diz?". Se não consegue, a análise ainda está incompleta.

Se você está nessa fase e sente que precisa de orientação estruturada para avançar na análise e discussão dos resultados, contar com um orientador especializado pode ser o diferencial entre um trabalho que trava e um que conclui com consistência metodológica. Veja como funciona o acompanhamento acadêmico a distância.

Para aprofundar outros aspectos do processo, explore os artigos sobre TCC — o acervo cobre desde escolha de metodologia até defesa e apresentação.

Perguntas Frequentes

Qual é a diferença entre tabela e quadro no TCC? Tabela apresenta dados numéricos ou estatísticos e tem bordas abertas nas laterais — sem linhas verticais externas. Quadro apresenta dados textuais ou mistos, como categorias de análise, comparações conceituais ou perfis de participantes, e tem bordas fechadas em todos os lados. Os dois precisam de título acima e fonte abaixo, conforme a NBR 14724:2024. Usar quadro quando o dado é numérico — ou tabela quando o dado é textual — é um erro que a banca identifica rapidamente.

Preciso comentar todos os dados no texto ou o gráfico fala por si? Todo dado visual precisa ser mencionado e interpretado no texto. O gráfico não fala por si — ele ilustra um ponto que o texto deve construir. A sequência correta é: mencionar o elemento no texto antes que ele apareça ("Como mostra a Figura 2..."), apresentar o dado visualmente e, em seguida, interpretar o que ele revela em relação ao problema de pesquisa. Dado sem interpretação no texto é apresentação, não análise.

Como analisar dados qualitativos no TCC sem usar percentuais? A análise qualitativa organiza os dados em categorias ou temas recorrentes identificados nas falas, documentos ou observações coletadas. Para cada categoria, o aluno apresenta trechos de fala como evidência e os interpreta à luz do referencial teórico. Percentuais podem ser usados como dado complementar ("cinco dos oito entrevistados mencionaram..."), mas não substituem a interpretação do significado das falas. A técnica mais usada em TCCs de graduação é a análise de conteúdo, sistematizada em três fases: pré-análise, exploração do material e interpretação.

Quando usar gráfico de barras, pizza ou linha no TCC? O tipo de gráfico depende do que você quer mostrar. Gráfico de barras é ideal para comparar categorias ou grupos distintos. Gráfico de pizza serve para mostrar proporções de um todo — mas perde clareza quando há mais de cinco categorias. Gráfico de linha é o mais adequado para mostrar evolução temporal ou tendência ao longo do tempo. O critério de escolha é sempre a mensagem central do dado: qual formato permite que o leitor compreenda o ponto principal em menos tempo.

Como citar no texto uma tabela ou figura que está no trabalho? A chamada deve aparecer antes do elemento, no corpo do texto, indicando explicitamente o número e o tipo: "conforme apresentado na Tabela 3", "como mostra a Figura 1" ou "os dados da Tabela 2 indicam que...". Nunca apresente uma tabela ou figura sem mencioná-la antes no texto — esse é um requisito das normas ABNT e um critério avaliado pelas bancas.

O que é triangulação metodológica e quando usar no TCC? Triangulação metodológica é o uso combinado de dados quantitativos e qualitativos para analisar o mesmo fenômeno de perspectivas complementares. É usada quando a pesquisa é de abordagem mista. Na prática: um questionário mede a frequência de um comportamento (dado quanti) e entrevistas explicam as motivações por trás desse comportamento (dado quali). Os dois dados se cruzam na interpretação para dar mais consistência ao argumento. É uma estratégia comum em TCCs de administração, saúde, educação e ciências sociais.

Como separar a seção de resultados da conclusão? A seção de resultados apresenta e interpreta os dados — o que foi encontrado e o que isso significa em relação aos objetivos e à literatura. A conclusão sintetiza os achados principais, responde ao problema de pesquisa de forma direta, aponta limitações do estudo e propõe desdobramentos futuros. Antecipar a conclusão na seção de resultados — ou repetir na conclusão o que já foi dito nos resultados sem síntese — são dois erros estruturais que fragilizam o trabalho. Mantenha a função de cada seção clara e distinta.