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Como Fazer a Conclusão do TCC: o Que Incluir e Evitar

Natan Soares11 min de leitura
Como Fazer a Conclusão do TCC: o Que Incluir e Evitar

Você terminou o desenvolvimento, o referencial teórico está fechado, os resultados foram analisados — e agora trava na conclusão. É comum: depois de meses lidando com dados, citações e formatação, o aluno chega nessa etapa sem saber exatamente o que já foi dito e o que ainda precisa ser amarrado. E a conclusão do TCC é justamente onde qualquer desalinhamento com o resto do trabalho fica mais visível.

Errar aqui custa caro. Uma conclusão desconectada dos objetivos, com informação nova ou fraca demais para sustentar o que foi prometido na introdução, é um dos pontos que mais gera questionamento na defesa. Por outro lado, uma conclusão bem construída reforça exatamente o oposto: mostra domínio do próprio trabalho, do início ao fim.

Este guia mostra o que a conclusão do TCC precisa conter segundo a NBR 14724:2024, os erros que mais aparecem em bancas examinadoras e um exemplo real de como estruturar cada parte — inclusive as diferenças entre pesquisas quantitativas e qualitativas nesse fechamento.

Parece uma seção pequena, de duas ou três páginas. Mas é a última coisa que a banca lê antes de formar a impressão final sobre o trabalho inteiro. Um desenvolvimento sólido perde força quando a conclusão não consegue amarrar o que foi construído — e o inverso também é verdadeiro: uma conclusão bem escrita pode reforçar a percepção de domínio do tema mesmo em pontos do desenvolvimento que ficaram menos claros.

Você vai encontrar aqui:

O que é a conclusão do TCC (e por que "considerações finais" é o mesmo elemento)

A NBR 14724:2024 — quarta edição da norma, que substituiu a versão de 2011 em dezembro daquele ano — trata a conclusão como um dos três elementos textuais obrigatórios do trabalho acadêmico, ao lado da introdução e do desenvolvimento. A definição da norma é direta: é a parte final do texto, na qual se apresentam as conclusões correspondentes aos objetivos ou à hipótese de pesquisa levantados no início do trabalho. Para entender como esse elemento se encaixa na estrutura completa do trabalho, vale revisitar o Guia ABNT com a visão geral de todas as normas aplicadas ao TCC.

Um ponto que gera dúvida recorrente: conclusão e considerações finais são o mesmo elemento. A norma usa o termo "conclusão", mas boa parte dos manuais de normalização de universidades brasileiras adota "considerações finais" como título da seção — geralmente em cursos de humanas e ciências sociais aplicadas, onde o fechamento tende a ser mais interpretativo do que conclusivo no sentido estrito. O conteúdo exigido não muda. O que muda é só o rótulo que aparece no sumário.

Segundo a NBR 14724:2024, é opcional — mas recomendado — que a conclusão apresente desdobramentos relacionados à importância do trabalho, síntese dos achados, projeções e encaminhamentos futuros da pesquisa.

Quem já orientou TCC sabe que o aluno costuma tratar essa seção como um resumo apressado do trabalho inteiro. Não é isso. É o fechamento de um raciocínio que começou na introdução — e que precisa provar, com base no que foi desenvolvido, que os objetivos propostos foram alcançados.

Os 4 elementos que toda conclusão de TCC precisa ter

Independentemente da área do curso, uma conclusão tecnicamente sólida reúne quatro blocos de conteúdo. Eles não precisam vir em parágrafos separados e identificados — mas precisam estar presentes, na ordem lógica abaixo:

  1. Retomada dos objetivos — reafirme o objetivo geral e os objetivos específicos definidos na introdução, sem colar o texto original. Reescreva com o verbo no passado, indicando o que foi feito.
  2. Síntese dos resultados — apresente, de forma direta, o que os dados ou a análise teórica revelaram em relação a cada objetivo específico. Sem repetir tabelas ou gráficos inteiros: a discussão detalhada já ficou no desenvolvimento.
  3. Considerações finais — o fechamento interpretativo: o que os resultados significam para a área de conhecimento, quais limitações o trabalho teve e o que ficou fora do escopo.
  4. Sugestões para trabalhos futuros — indicações de caminhos de pesquisa que ficaram em aberto, geralmente por limitação de tempo, amostra ou escopo definido na delimitação do tema.

Erro comum de quem está sob pressão de prazo: copiar frases inteiras da introdução para "economizar tempo" na conclusão. A banca lê os dois textos lado a lado e o efeito é o oposto do pretendido — parece que o trabalho não avançou entre a proposta e o fechamento.

Você pode estar pensando: os quatro elementos precisam vir em ordem rígida, com subtítulos separados? Depende do manual da sua instituição. Em trabalhos mais curtos, os quatro blocos costumam se fundir em uma sequência única de parágrafos. Em TCCs mais extensos — como os que exigem 40 páginas ou mais de desenvolvimento —, é comum separar "Conclusão" de "Sugestões para Trabalhos Futuros" como subseções numeradas, cada uma com seu próprio título.

Se você ainda está organizando os prazos até a defesa, o gerador de cronograma de TCC ajuda a reservar tempo suficiente para escrever a conclusão com calma, em vez de fechá-la na última noite antes da entrega.

O erro que mais reprova conclusões: a desconexão com o corpo do trabalho

Essa é a tensão real de quem escreve a conclusão: qualquer frase que não encontre respaldo direto no desenvolvimento vira um problema na defesa. E é mais comum do que parece. O aluno constrói uma metodologia com uma amostra pequena, específica e delimitada — mas na conclusão generaliza o achado como se valesse para todo o setor ou toda a população estudada. A banca percebe essa discrepância imediatamente, porque acabou de ler o capítulo anterior.

O mesmo acontece quando a conclusão responde a um objetivo diferente do que foi proposto. Se o objetivo geral era "analisar o impacto de X sobre Y" e a conclusão afirma que "X causa Y", há um salto metodológico que os dados dificilmente sustentam — analisar impacto não é o mesmo que comprovar causalidade. Esse tipo de imprecisão é um dos pontos mais frequentes de questionamento na arguição.

Traduzindo para a realidade do seu trabalho: antes de escrever a conclusão, releia a introdução e o desenvolvimento juntos. Marque cada objetivo específico e verifique, um por um, onde exatamente o desenvolvimento respondeu a ele. Se algum objetivo não tiver resposta clara em nenhum trecho do trabalho, o problema não está na conclusão — está faltando algo no desenvolvimento, e é isso que precisa ser resolvido primeiro.

Outros erros comuns que fazem a banca perder confiança no seu TCC

Além da desconexão com o corpo do trabalho, alguns erros se repetem com frequência suficiente para merecer atenção específica:

  • Inserir referência bibliográfica nova. A conclusão não é lugar para citar um autor que não apareceu no referencial teórico. Toda referência precisa ter sido trabalhada antes, conforme a NBR 6023:2025 — terceira edição da norma que regula a elaboração de referências e reforça que a lista final deve refletir exatamente o que foi efetivamente citado ao longo do texto.
  • Emitir opinião pessoal sem base nos dados. Uma coisa é interpretar os resultados dentro do escopo da pesquisa. Outra é declarar uma posição pessoal que os dados coletados não sustentam.
  • Repetir a introdução quase palavra por palavra. Retomar objetivos não é reescrever o mesmo parágrafo — é sintetizar o que foi cumprido, com o verbo no passado.
  • Ignorar as limitações do estudo. Toda pesquisa tem limites — de amostra, tempo, acesso a dados ou escopo. Reconhecer isso de forma técnica fortalece a credibilidade do trabalho, não o enfraquece.
  • Ultrapassar o tamanho proporcional ao desenvolvimento. Uma conclusão maior que a introdução geralmente indica que informação nova está sendo inserida ali, fora do lugar.
  • Usar linguagem excessivamente genérica no fechamento. Frases como "o tema mostrou-se relevante" ou "mais estudos são necessários" sem especificar qual estudo, sobre qual variável, não agregam nada ao trabalho. Toda afirmação final precisa apontar para algo concreto que foi de fato analisado.

Nenhum desses erros costuma aparecer sozinho. Na prática, quando um deles aparece, os outros tendem a vir junto — porque normalmente têm a mesma origem: a conclusão foi escrita rápido demais, sem revisar o trabalho inteiro antes.

Se a conclusão for reescrita mais de duas vezes e o problema persistir, geralmente não é um problema de redação — é um sinal de que o desenvolvimento não deixou claro o caminho até os resultados. Nesses casos, contar com orientação especializada e estruturada costuma ser o que separa travar por semanas de destravar com segurança.

Antes de considerar a versão final pronta, vale rodar o texto pelo Analisador de Escrita Acadêmica — ele identifica trechos redundantes com a introdução e problemas de impessoalidade que passam despercebidos numa leitura corrida.

Exemplo real de conclusão de TCC, seção por seção

Veja como os quatro elementos aparecem, na prática, em uma conclusão de um TCC fictício sobre o uso de redes sociais na divulgação de pequenos negócios locais — estrutura adaptável para qualquer área, desde que os elementos se mantenham na mesma ordem.

Retomada dos objetivos: Este trabalho teve como objetivo analisar de que forma pequenos negócios do setor de alimentação utilizam redes sociais como ferramenta de divulgação, buscando identificar práticas associadas a maior engajamento do público local.

Síntese dos resultados: A análise das 12 páginas selecionadas mostrou que os perfis com publicação de conteúdo nos bastidores da produção apresentaram engajamento superior aos perfis que publicavam apenas fotos de produto finalizado, corroborando a perspectiva de proximidade discutida por Kotler (2017, p. 88) no referencial teórico.

Considerações finais: Os resultados reforçam que, para pequenos negócios com orçamento limitado de marketing, a construção de proximidade com o público parece pesar mais do que a produção técnica do conteúdo. É importante situar esse achado dentro dos limites da amostra: 12 perfis de uma única cidade não permitem generalização para outros contextos regionais ou outros setores de atuação.

Sugestões para trabalhos futuros: Pesquisas futuras podem ampliar a amostra para múltiplas cidades e comparar setores diferentes, além de investigar se o padrão de engajamento se mantém em formatos de vídeo curto, não analisados neste trabalho.

Repare que cada bloco cumpre uma função específica, sem repetir o que já foi dito no desenvolvimento — e sem introduzir nada que não tenha aparecido antes no trabalho. Se você quer partir de uma base já formatada para adaptar ao seu tema, o modelo de TCC pronto em ABNT já vem com a seção de conclusão estruturada nesse formato.

Conclusão quantitativa x qualitativa: o que muda na prática

A estrutura dos quatro elementos vale para qualquer abordagem metodológica. O que muda é o tom e o tipo de afirmação que cada uma sustenta.

AspectoPesquisa quantitativaPesquisa qualitativa
Base da conclusãoDados numéricos, testes estatísticos, indicadoresInterpretação de discursos, categorias temáticas, percepções
Linguagem predominanteObjetiva, apoiada em resultados mensuráveisDiscursiva, interpretativa, contextualizada
Nível de generalizaçãoPode indicar tendências dentro da amostra estudadaExplora significado e profundidade, sem pretensão de generalizar
Risco mais comumExtrapolar resultado numérico além do que a amostra permiteConcluir com base em impressão pessoal, sem ancoragem nos dados coletados

Pesquisas em exatas, engenharias e áreas da saúde com desenho experimental tendem a apoiar a conclusão diretamente nos números obtidos. Já em humanas e ciências sociais aplicadas, a conclusão frequentemente dialoga com categorias de análise construídas a partir de entrevistas ou observação — sem que isso signifique menos rigor, apenas um tipo diferente de evidência científica, do ponto de vista epistemológico.

Se o seu TCC combina as duas abordagens — pesquisa mista —, a conclusão precisa amarrar os dois tipos de achado no mesmo raciocínio, mostrando como os dados quantitativos e qualitativos se complementam, e não apenas justapondo os dois blocos.

Conclusão

A conclusão do TCC não é um resumo nem um espaço para opinião solta — é o fechamento técnico de um raciocínio que começou na introdução. Retome os objetivos com precisão, sintetize os resultados sem repetir o desenvolvimento, reconheça os limites do próprio trabalho e, se fizer sentido, aponte caminhos para pesquisas futuras. Nenhuma referência nova, nenhuma generalização que os dados não sustentam.

Se depois de revisar tudo isso a conclusão ainda parecer travada — ou se o problema estiver mais lá atrás, no desenvolvimento —, vale considerar orientação especializada para destravar o processo com segurança, em vez de insistir sozinho contra o prazo.

Para seguir organizando as próximas etapas do trabalho, dá uma olhada nos outros artigos sobre TCC aqui no blog.

Perguntas Frequentes