Normas ABNT

Como Formatar Tabelas e Figuras no TCC pela ABNT

Natan Soares10 min de leitura
Como Formatar Tabelas e Figuras no TCC pela ABNT

Você terminou a tabela de resultados, colou no TCC, ajustou a fonte e seguiu em frente. Só que a formatação de tabelas e figuras no TCC segundo a ABNT não se resume a "caber na página" — ela envolve regras específicas de posição de título, fonte, numeração e até o tipo de borda que o elemento pode ter.

E é justamente nesse detalhe que boa parte dos trabalhos perde pontos na banca. Um orientador experiente reconhece em segundos um TCC que só copiou tabelas do Excel sem revisar a formatação: título torto, fonte ausente, numeração reiniciada a cada capítulo. Isso não reprova sozinho, mas soma pontos negativos justamente na parte que deveria ser mais fácil de acertar.

A ABNT atualizou a norma que trata desse assunto — a NBR 14724, revisada em dezembro de 2024 — e boa parte do conteúdo disponível na internet ainda ensina a versão de 2011, já cancelada. Este guia usa a regra vigente e mostra, na prática, como aplicá-la no Word.

Você vai encontrar aqui:

Tabela ou quadro: a diferença que a banca cobra na formatação do TCC

Parece bobagem. Mas confundir tabela com quadro é um dos erros mais recorrentes em bancas de TCC, porque os dois têm aparência parecida e o aluno raramente aprendeu a diferença de forma explícita.

Tabela é o elemento que apresenta dados numéricos como informação central e segue as normas de apresentação tabular do IBGE — não a NBR 14724 diretamente, que apenas remete a essa norma específica para tabelas. Quadro organiza informação textual, qualitativa, comparativa, e é tecnicamente classificado como um tipo de figura, ao lado de gráficos, mapas e fotografias.

A diferença mais fácil de identificar visualmente está nas bordas:

CritérioTabelaQuadro
Tipo de conteúdoDados numéricos, estatísticosTexto, categorias, comparações qualitativas
Bordas lateraisAbertas (sem linha vertical fechando os lados)Fechadas nos quatro lados
Norma de referênciaNormas de apresentação tabular do IBGENBR 14724 (categoria "ilustrações")
Exemplo típicoDistribuição de respostas por faixa etáriaComparação entre autores ou correntes teóricas

Regra prática de orientador: se você consegue somar, calcular média ou comparar percentuais entre as linhas, é tabela. Se o conteúdo são palavras, categorias ou trechos de texto organizados em células, é quadro — mesmo que pareça uma tabela para quem está montando o TCC.

Fixada essa distinção, o próximo ponto que trava muita gente é: onde entra o título e onde entra a fonte em cada um desses elementos.

Como identificar e posicionar título e fonte em tabelas e figuras

Aqui está a mudança que a maioria dos guias na internet ainda não atualizou. Até a versão de 2011 da NBR 14724, era comum a orientação distinguir a posição: título acima para tabela, título abaixo para figura. A ABNT NBR 14724:2024, publicada em 16 de dezembro de 2024 e vigente desde então, unificou essa regra.

Hoje, tanto tabela quanto as demais ilustrações — figura, quadro, gráfico, mapa, fotografia, organograma — seguem a mesma estrutura:

  1. Identificação acima do elemento: tipo (Tabela, Figura, Quadro, Gráfico), número de ordem e título, separados por travessão. Exemplo: Tabela 3 — Distribuição de respondentes por faixa etária.
  2. Elemento em si (a tabela, a imagem, o gráfico).
  3. Fonte imediatamente abaixo, alinhada à margem esquerda, em fonte menor que a do corpo do texto (geralmente 10).

Quando o material é produzido pelo próprio autor, a norma vigente pede a expressão "Elaborado pelo próprio autor", "Elaboração própria" ou "O próprio autor" — a antiga "Fonte: o autor", comum em modelos de 2011 para cá, não é mais a redação recomendada. Quando o dado vem de outro trabalho, a fonte segue o padrão de citação da NBR 10520: Fonte: Silva (2021, p. 45).

Antes de fechar o trabalho, confira com o seu orientador se a instituição já atualizou o manual interno para a versão 2024 da norma. Bibliotecas de universidades como PUCPR e UFSCar já publicaram comunicados oficiais sobre a mudança, mas alguns cursos ainda seguem manuais próprios com base na versão anterior — e, nesse caso, vale a orientação institucional.

Resolvida a posição, falta um detalhe que reprova tabela mais do que qualquer outro: numeração inconsistente.

Numeração sequencial de tabelas, quadros e gráficos no TCC

Aqui vai o erro que mais aparece em revisão final: reiniciar a numeração a cada capítulo. O aluno termina o capítulo 2 na Tabela 4, começa o capítulo 3 e volta para Tabela 1 — pensando que está seguindo uma lógica de organização, quando na verdade está descumprindo a norma.

A numeração é sequencial e contínua do início ao fim do trabalho, não por seção. Se o TCC inteiro tem 12 tabelas, elas vão de Tabela 1 a Tabela 12, independentemente de estarem espalhadas entre a introdução, o desenvolvimento e os resultados. O mesmo vale para Figura, Quadro e Gráfico — cada tipo tem sua própria sequência numérica isolada.

Quem já revisou dezenas de TCCs sabe que esse erro geralmente aparece quando o aluno escreve o trabalho em partes separadas e só depois junta tudo em um documento único — e esquece de renumerar. Duas saídas evitam retrabalho:

  • Usar a legenda automática do Word desde o início (próxima seção), porque ela renumera sozinha quando você move ou insere elementos.
  • Se preferir numerar manualmente, deixar a revisão de numeração como a última etapa antes da entrega, depois que o texto já estiver fechado.

Quando o trabalho tem muitos quadros, gráficos e mapas ao mesmo tempo, é comum — e aceitável — que o orientador peça listas separadas por tipo em vez de uma lista única de "Figura". Isso não é exigência da NBR 14724 em si, é convenção de curso. Confirme com quem vai avaliar antes de decidir.

O Guia ABNT reúne as demais regras de formatação do trabalho, caso você ainda tenha dúvida sobre outros elementos além de tabelas e figuras.

Como inserir legenda automática de tabelas e figuras no Word

Fazer isso manualmente — digitando "Tabela 1", "Tabela 2" em cada elemento — é a receita para errar a numeração no meio do trabalho. O Word tem uma função pronta para isso, e a maioria dos alunos nunca usou.

  1. Clique sobre a tabela, imagem ou gráfico que você quer identificar.
  2. Vá até a aba Referências e clique em Inserir Legenda.
  3. No campo Rótulo, escolha Tabela ou Figura. Se precisar de Quadro ou Gráfico como categoria separada, clique em Novo Rótulo e crie.
  4. Digite o título depois do travessão gerado automaticamente — por exemplo, — Distribuição de respostas por faixa etária.
  5. Em Posição, selecione "Acima do item selecionado".
  6. Clique em OK. Repita o processo em cada tabela ou figura do trabalho.

Com todos os elementos identificados dessa forma, gerar a lista de tabelas ou a lista de ilustrações fica quase automático: posicione o cursor onde a lista deve aparecer (depois do abstract, antes do sumário), vá em Referências e clique em Inserir Índice de Ilustrações, escolhendo o rótulo correspondente (Tabela, Figura, Quadro). O Word monta a lista completa, com título e número de página, e atualiza sozinho se você inserir um novo elemento depois.

Se você ainda está montando a estrutura do documento do zero, vale começar de um arquivo já formatado: o modelo de TCC pronto em Word já vem com essas legendas configuradas, o que evita erro de rótulo logo na primeira tabela.

Feita essa parte técnica, falta cobrir o que entra sob a categoria "figura" além de imagem comum.

Gráficos, mapas e fotografias seguem a mesma lógica das figuras

Muito aluno trata gráfico como uma categoria à parte, sem perceber que ele está dentro do mesmo grupo normativo das figuras. A NBR 14724:2024 reúne sob "ilustrações" um conjunto amplo: figura, gráfico, mapa, organograma, planta, fotografia, desenho, fluxograma, retrato — todos com a mesma estrutura de identificação acima e fonte abaixo.

Na prática, isso significa que um gráfico de barras comparando respostas de questionário segue exatamente a mesma regra de posição, numeração e fonte que uma fotografia de campo ou um organograma da estrutura organizacional analisada no estudo de caso.

Um ponto que passa despercebido: se o seu TCC será impresso ou lido em preto e branco por algum membro da banca, gráficos que dependem só de cor para diferenciar categorias perdem legibilidade. Prefira padrões de preenchimento (tracejado, pontilhado) combinados com cor, não cor isolada.

Quem já avaliou apresentação de TCC sabe: um gráfico sem título, sem fonte e sem unidade de medida no eixo vertical gera pergunta na hora da defesa — e geralmente pergunta que o aluno não sabe responder porque nem ele revisou aquele gráfico com atenção.

Reunidos os pontos técnicos, vale fechar com os erros que mais aparecem na prática — de forma direta, para você revisar seu próprio trabalho contra essa lista antes da entrega.

Os erros mais comuns na formatação de tabelas e figuras do TCC

Boa parte desses erros não reprova um TCC sozinha. Mas somados, empurram a nota de formatação para baixo e sinalizam à banca que a revisão final foi apressada.

  • Confundir tabela com quadro — usar quadro para dado numérico ou tabela para conteúdo textual, invertendo a norma de referência aplicável.
  • Não indicar fonte em material próprio — deixar a tabela ou o gráfico sem nenhuma indicação de fonte, ou usar a redação antiga "Fonte: o autor" em vez de "Elaborado pelo próprio autor".
  • Reiniciar a numeração por capítulo — voltar para Tabela 1 ou Figura 1 a cada novo capítulo, em vez de manter a sequência única do início ao fim do trabalho.
  • Título divergente entre o corpo do texto e a lista de ilustrações — escrever um título na legenda e outro, resumido ou reformulado, na lista gerada automaticamente.
  • Fechar as laterais da tabela com linha vertical — ferir a norma do IBGE, que pede tabela com bordas abertas nos lados, reservando o fechamento total para o quadro.
  • Inserir a ilustração longe do trecho comentado — colocar a tabela duas ou três páginas depois do parágrafo que faz referência a ela, forçando o leitor a procurar.
  • Cortar tabela grande entre páginas sem repetir o cabeçalho — deixar a segunda parte da tabela sem as colunas identificadas, o que obriga o leitor a voltar à página anterior.
  • Não gerar lista de tabelas ou de ilustrações — mesmo tendo dez ou doze elementos no trabalho, entregar sem a lista correspondente nos elementos pré-textuais.
  • Fonte da legenda do mesmo tamanho do corpo do texto — a identificação e a fonte da ilustração devem estar em corpo menor (10 ou 11), não no mesmo tamanho do parágrafo.

Se você reconheceu dois ou três desses pontos no seu próprio trabalho, vale revisar tabela por tabela antes de considerar a formatação encerrada — é mais rápido corrigir agora do que depois que a banca já sinalizou.

Conclusão

Formatar tabelas e figuras no TCC segundo a ABNT não é sobre decorar regra por regra, é sobre entender a lógica: identificar o tipo certo (tabela ou quadro), posicionar título e fonte do jeito que a NBR 14724:2024 exige e manter a numeração contínua do início ao fim do trabalho. Resolvido isso, a parte visual do seu TCC para de chamar atenção pelos motivos errados.

Se essa etapa está te travando junto com outras partes da formatação — ou se o prazo de entrega já está apertado e a revisão normativa virou mais um item numa lista que não anda —, contar com orientação acadêmica especializada pode ser o que separa meses de retrabalho de uma entrega tranquila, com suporte de quem já revisou esse tipo de detalhe centenas de vezes.

Para seguir revisando outros pontos de formatação do trabalho, os artigos sobre normas ABNT do blog cobrem desde citação até estrutura de referências.

Perguntas Frequentes

Como citar este artigo

Use esta página como fonte no seu trabalho. A referência segue a NBR 6023 e a citação no texto, a NBR 10520 — a data de acesso é a de hoje.

Na lista de referências

SOARES, Natan. Como Formatar Tabelas e Figuras no TCC pela ABNT. TCC na Prática, 2026. Disponível em: https://meutccnapratica.com.br/blog/abnt/tabelas-e-figuras-no-tcc-normas-abnt-2026.

No corpo do texto

(SOARES, 2026)autor entre parênteses, no fim da frase

Soares (2026)autor dentro da frase