Você acabou de entregar seu TCC impresso, aquela sensação de alívio toma conta… até que, folheando a versão final, você percebe: um erro grotesco de digitação na página 37. Ou pior: uma data errada em um dado fundamental da sua pesquisa.
Seu coração acelera. Será que vai ter que reimprimir tudo? Encadernar de novo? Gastar mais uma fortuna na gráfica?
Calma. Respira. Existe uma solução oficial para isso, e ela tem nome: errata.
Se você nunca ouviu falar desse elemento (ou já ouviu mas não faz a menor ideia de como usar), este guia vai te salvar. Vou te explicar o que é, quando usar, como formatar segundo as normas da ABNT e como incluir no seu trabalho sem complicação.
O Que É Errata em Trabalhos Acadêmicos?
Errata é um elemento pré-textual opcional que serve para corrigir erros identificados em um trabalho depois que ele já foi impresso. É basicamente uma lista oficial das correções que precisam ser feitas, indicando exatamente onde está o erro e qual é a informação correta.
O termo vem do latim errata, que significa “coisas erradas”. Na prática acadêmica, a errata funciona como um adendo ao trabalho, informando ao leitor que determinados trechos contêm erros e apresentando as devidas correções.
🔎 Definição: Errata é um elemento pré-textual opcional, acrescido ao trabalho acadêmico após sua impressão, que lista de forma organizada os erros identificados (indicando folha e linha) seguidos das respectivas correções, conforme normas da ABNT.
Importante: a errata não é uma forma de reescrever trechos inteiros ou mudar conclusões do trabalho. Ela serve apenas para corrigir erros factuais, de digitação ou informações incorretas que não alteram a essência da pesquisa.
Quando Usar a Errata?
A errata só deve ser usada em situações específicas. Vamos entender quando ela é necessária — e quando não é.
Quando a Errata É Necessária
Use a errata quando:
O trabalho já foi impresso e você identificou erros: Essa é a condição básica. Se o trabalho ainda não foi impresso, simplesmente corrija no arquivo antes de imprimir.
Há erros factuais ou de informação: Datas erradas, nomes de autores com grafia incorreta, dados estatísticos trocados, fórmulas com números errados.
Há erros graves de digitação que prejudicam a compreensão: Palavras trocadas que alteram o sentido de uma frase importante, números de páginas em referências cruzadas errados.
O trabalho foi entregue e a banca ou orientador identificou erros: Após a defesa, você pode adicionar uma errata antes da versão final ser depositada na biblioteca.
Quando NÃO Usar a Errata
Não use a errata para:
- Corrigir erros antes de imprimir (corrija direto no arquivo)
- Mudar argumentos ou conclusões do trabalho
- Corrigir pequenos erros de pontuação ou vírgulas que não afetam o sentido
- Alterar a estrutura ou desenvolvimento da pesquisa
- Corrigir formatação geral (margens, espaçamentos)
A regra de ouro é: a errata corrige informações, não reformula o trabalho.
Como Formatar a Errata Segundo a ABNT
A ABNT estabelece regras específicas para a apresentação da errata. Vamos ao passo a passo detalhado:
Posicionamento
A errata deve ser apresentada em folha avulsa, inserida logo após a folha de rosto do trabalho. Ela fica entre a folha de rosto e a ficha catalográfica (se houver).
Estrutura da Errata
A errata é composta por três partes principais:
1. Referência do trabalho (topo da página):
No alto da folha, alinhada à esquerda e em espaço simples, coloque a referência completa do trabalho conforme as normas da ABNT.
Exemplo:
SILVA, João Pedro. Impactos da tecnologia na educação básica: estudo de caso em escolas públicas de São Paulo. 2025. 120 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia) – Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2025.2. Título “ERRATA”:
Centralizado, em negrito e com letras maiúsculas.
3. Lista de correções:
Apresentada em formato de tabela ou lista, contendo:
- Folha (ou página) onde está o erro
- Linha onde o erro aparece
- Onde se lê (o que está errado)
- Leia-se (a correção)
Modelo de Formatação
Aqui está um exemplo prático de como estruturar:
SILVA, João Pedro. Impactos da tecnologia na educação básica: estudo de caso em escolas públicas de São Paulo. 2025. 120 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia) – Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2025.
ERRATA
Folha Linha Onde se lê Leia-se
23 12 2024 2025
45 8 Vigotsky Vygotsky
67 15 Tabela 3 Tabela 4
89 20 amostra de 150 alunos amostra de 180 alunosDetalhes Técnicos Importantes
- Não recebe numeração de página: A errata não entra na contagem de páginas do trabalho
- Folha avulsa: Pode ser impressa separadamente e inserida no trabalho encadernado
- Espaçamento: A referência usa espaço simples; a tabela de correções também
- Fonte e tamanho: Mantém o padrão do trabalho (geralmente Arial ou Times New Roman, tamanho 12)
Passo a Passo para Criar Sua Errata
Agora que você entende a teoria, vamos à prática:
Passo 1: Identifique os Erros
Revise o trabalho impresso com atenção e anote todos os erros que precisam ser corrigidos. Seja criterioso — inclua apenas erros significativos.
Passo 2: Localize Exatamente Onde Estão
Para cada erro, anote:
- Número da folha (ou página)
- Número da linha (conte a partir do início do texto na página)
- O trecho exato que está errado
- A correção exata
Passo 3: Organize em Ordem Sequencial
Liste os erros seguindo a ordem em que aparecem no trabalho (da primeira para a última página).
Passo 4: Monte a Errata
Abra um novo documento e estruture a errata seguindo o formato mostrado acima:
- Referência completa do trabalho no topo
- Título “ERRATA” centralizado
- Tabela com as correções
Passo 5: Imprima e Insira no Trabalho
Imprima a errata em folha avulsa e insira logo após a folha de rosto. Se o trabalho já estiver encadernado, você pode:
- Desencadernar, inserir a errata e reencadernar
- Em alguns casos (como espiral), é possível inserir a folha sem desencadernar
Erros Comuns ao Fazer a Errata
Evite essas armadilhas frequentes:
Usar a errata como substituto da revisão: A errata é para correções pontuais após a impressão, não para compensar falta de revisão.
Não indicar a linha corretamente: Conte as linhas do texto, não as linhas em branco.
Tentar corrigir parágrafos inteiros: A errata é para correções objetivas e específicas, não para reescrever trechos.
Esquecer a referência no topo: Sem a referência completa, a errata fica incompleta.
Não seguir a ordem das páginas: Liste os erros sequencialmente, não aleatoriamente.
A Errata É Obrigatória?
Não. A errata é um elemento opcional segundo as normas da ABNT. Você só deve incluí-la se realmente houver erros significativos que precisam ser corrigidos após a impressão.
Se o trabalho está correto, não há necessidade de criar uma errata vazia. E lembre-se: o ideal é que você faça uma revisão minuciosa antes de imprimir, para não precisar usar errata.
Diferença Entre Errata, Adendo e Fe de Erratas
Às vezes esses termos são confundidos. Veja as diferenças:
Errata: Lista de correções de erros em trabalho já impresso.
Adendo: Acréscimo de informação nova que não estava no trabalho original (menos comum em trabalhos acadêmicos).
Fe de Erratas: Termo usado em publicações jornalísticas; no meio acadêmico usamos “errata”.
Perguntas Frequentes sobre Errata
Posso adicionar a errata depois da defesa?
Sim. É comum adicionar a errata na versão final que será depositada na biblioteca, após a banca apontar erros ou você identificá-los durante a apresentação.
A errata conta como página do trabalho?
Não. Ela não recebe numeração e não entra na contagem total de páginas.
Quantos erros posso listar na errata?
Não há limite, mas se você tiver muitos erros, talvez seja melhor reimprimir o trabalho. A errata deve ser usada para correções pontuais, não para uma lista enorme de problemas.
Preciso avisar o orientador antes de incluir a errata?
É recomendável. Seu orientador pode avaliar se os erros realmente justificam uma errata ou se há outra solução.
Posso fazer a errata à mão?
Tecnicamente sim, mas não é recomendado. O ideal é que seja digitada e impressa, mantendo o padrão de qualidade do restante do trabalho.
Conclusão: A Errata Existe para Te Salvar (Quando Necessário)
A errata não é um atestado de incompetência — é uma ferramenta oficial que a ABNT disponibiliza justamente porque erros acontecem, mesmo após revisões cuidadosas.
Se você identificou erros no seu trabalho já impresso, não entre em pânico. A errata resolve o problema de forma profissional e dentro das normas acadêmicas. Basta seguir a formatação correta, ser específico nas correções e inserir a folha no lugar adequado.
Mas lembre-se: a melhor errata é aquela que você não precisa fazer. Então, antes de imprimir, revise, revise e revise mais uma vez. Seu eu do futuro (e seu bolso) agradecem.




